Ao mergulhar no tempo fico com a impressão, tão mais viva quanto mais entro nele, de que, nesta terra que é a nossa, quase nunca nada foi feito com tempo.Os nossos gestores públicos apostaram sempre em brilharetes efémeros, em projectos descontinuados, pouco ou nada estratégicos.Tal procedimento tem sido obsessivo na ânsia de encontrar o filão do reconhecimento imediato, num rol de sucessivas transformações e fundamentações que os levaram a fabricar um produto desconsertado, híbrido, sem rumo. O novo gestor da causa e território públicos precisa, em absoluto, da história, não só por pisar territórios pré-existentes mas sobretudo por poder orientar o projecto de uma transformação que vive do tempo e no tempo. A verificação directa do tempo coisificado nos sucessivos extractos deveria, então, aproximar os muitos técnicos e saberes disponíveis dos decisores públicos, ao ponto de quase se confundirem. O domínio do concreto, das coisas, deveria aproximá-los, porque as coisas por nós hoje edificadas são uma camada mais nas sucessivas contemporaneidades precedentes. E aqui nasce a necessidade de, com todos, programar o futuro, assente num diagnóstico sério da situação existente. No espaço dos dois últimos séculos a história deste sítio acumulou, de facto, um cruzamento de muitas histórias, mostrando-nos não um mas vários contributos que se continuaram, sobrepuseram ou cruzaram, destruindo-se ou fragmentando-se, gerando residualidades, hesitações, firmezas, abusos, coisas grosseiras e algumas revelações fantásticas, fascinantes. Após o caminho que fiz pelas leituras históricas convocadas, pelos relatos e relatórios disponíveis, pelos governos que percorremos do despertar ao entardecer, se algo surge como comoventemente único é a capacidade de resistir e de sobreviver a tanta falta de rumo. Hoje por hoje, com tanta qualidade na informação disponível, capaz de um diagnóstico seguro, com tanta capacidade técnica à mão, seria indesculpável não agarrar o futuro na consciência plena de não querer construir Roma e Pavia num só dia. Neste contexto e num trabalho de vários anos aqui deixo uma maqueta de estudo, uma sebenta de riscos e rabiscos que, valendo o que valem, não deixam de ser o meu modesto contributo para que o sol da fortuna brilhe mais na minha terra, sem ter de continuar a ouvir falar de Óbidos ou Batalha que, tendo realidades bem diferentes da nossa, vão sendo apontadas como caminhos recomendados. Não vale mesmo a pena ir por aí... Mais do que extrapolar tendências e explorar cenários teóricos, pretende promover-se uma prospectiva contínua e interactiva, baseada na inteligência colectiva, capaz de identificar e experimentar novas soluções aos problemas vividos, apoiadas em dinâmicas já instaladas ou a instalar, definindo uma trajectória de desenvolvimento. Embora seja uma virtude aprender com os bons exemplos, têm de ser as nossas mãos e talento a pautar e rumo do nosso futuro. Somos tão ou mais capazes que os outros, basta fazer das nossas diferenças a nossa força, matando a desunião que tem cavado o nosso insucesso. Sê tudo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes, como bem disse Ricardo Reis.
Porto de Mós precisa de um soco no estômago, para acordar.
PORTO DE MÓS
Hoje, vou fazer de ti o meu mapa, desenhar as tuas ruas, uma a uma, vestir-te das minhas tintas, despir-te nas minhas cores. Hoje, vou descer teus vales... Escalar tuas montanhas, aquecer-me nas labaredas do teu olhar. Hoje, vou descansar lá no alto dos teus montes, olhar em redor, riscar horizontes, comer a fruta fresca dos teus vales, mergulhar nas grutas húmidas, profundas, que o tempo rendou da mais fina pedra, e descer ao fundo mais fundo de ti. Hoje vou perder-me nos teus recantos, beber os sorrisos da tua gente, no cume do teu contentamento, e aí construir o meu caminho. O teu corpo é um hoje um mar, de encantos renovados, onde o meu se perde. Hoje, vou beber a força de Nuno Álvares, vadiar na loucura de D. Afonso e navegar na mítica aventura de D. Fuas. Hoje quero ser a mó, que rasga o trigo loiro que te dá pão, e ser o vento que roda os panos brancos das velas que adornam a tua paz. Hoje, e sempre, ondeará no meu peito a tua bandeira, mulher bonita, rainha do chão que piso. Hei-de adormecer, depois, no teu castelo, de olhos verdes, tão verdes… E, em cada acordar, quero poder repetir-te ao ouvido, baixinho, no despertar sereno, de cada madrugada:
Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável, dizia Seneca. Nada melhor se aplica a Porto de Mós. No entanto, somos tão oumais capazes que os outros, basta fazer das nossas diferenças a nossa força, matando a desunião que tem cavado o nosso insucesso.
Silva Neto
TALENTO EM RAINHA INTELIGENTEMENTE BONITA
Um dia havemos de dar valor ao talento, independentemente da cor, género ou condição da pessoa de onde vier.
Rania Al-Abdullah Rainha da Jordânia - SIC 21.03.09
UMA REFLEXÃO
E, se é certo que por um lado o especialismo favorece aquela preguiça de ser homem que tanto encontramos no mundo, permite ele, por outro lado, aproveitar em tarefas úteis indivíduos que pouco brilhantes seriam no tratamento de conjuntos. O preço, porém, se tem naturalmente de pagar; paga-o o colectivo quando se queixa, e muito justamente, da falta de bons líderes, de homens com uma larga visão de conjunto, que saibam do trabalho de cada um o suficiente para o poderem dirigir e se tenham eles tornado especialistas na difícil arte de não ter especialidade própria senão essa mesma do plano, da previsão e do animar na batalha as tropas que, na maior parte das vezes, mal sabem por que se batem...
Agostinho da Silva
UM MUNDO NOVO
A acção desperta é o alinhamento do nosso propósito exterior - aquilo que fazemos - com nosso propósito interior - o despertar e permanecer despertos. Através da acção desperta, convertemo-nos num só com o propósito exterior do universo. A consciência flui através de nós para este mundo. Flui para os nossos pensamentos e inspira-os. Flui para o que fazemos, guiando as nossas acções e dando-lhes poder. Não é o que fazemos, mas o modo como o fazemos que determina se estamos a cumprir o nosso destino. E o modo como o fazemos é determinado pelo nosso estado de consciência.
Eckhart Tolle
SUCESSO
O que devem fazer para atingir o sucesso? Sigam o vosso sonho!
Zé Mourinho - 23.03.09 Doutor Honoris Causa Faculdade Motricidade Humana Universidade Técnica de Lisboa
Sem comentários:
Enviar um comentário